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TCC aborda a Chicha como Patrimônio Cultural Imaterial do povo Guarani Kaiowá

O BIT realizou uma conversa com a acadêmica Claudineia Araujo Fernandes, do curso de Turismo da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Unidade de Dourados e com o orientador Fábio Vogado, gestor ambiental e mestrando em Recursos Naturais pela mesma instituição. A professora Marcia Medeiros, do Curso de Turismo da UEMS/Dourados atuou como coorientadora do trabalho. O diálogo teve como foco o Trabalho de Conclusão de Curso que investiga a Chicha como patrimônio cultural imaterial do povo Guarani Kaiowá, evidenciando a relevância dos saberes tradicionais no meio acadêmico.

Claudineia se apresenta como integrante da etnia Guarani-Kaiowá e destaca que, durante sua trajetória na graduação, sempre demonstrou interesse em temas relacionados à cultura indígena e à valorização dos conhecimentos tradicionais. Segundo ela, o TCC surgiu como uma oportunidade de registrar e fortalecer um saber ancestral presente em sua comunidade.

Fábio Vogado, também pertencente ao povo Guarani-Kaiowá, atua como orientador do trabalho e desenvolve pesquisas voltadas aos saberes indígenas e à autoetnografia. Ele ressalta a importância de reconhecer e valorizar os conhecimentos tradicionais dentro da universidade, promovendo um diálogo mais inclusivo entre diferentes formas de saber.

A proposta do trabalho surgiu da necessidade de registrar e valorizar a Chicha, uma bebida tradicional presente em momentos festivos, familiares e rituais. Mais do que um alimento, ela representa memória, identidade e espiritualidade para o povo Guarani Kaiowá.

Produzida a partir de ingredientes como milho, batata-doce e cana-de-açúcar, a Chicha simboliza união, partilha e ancestralidade. Sua presença nas práticas culturais reforça a continuidade dos conhecimentos transmitidos pelos mais velhos, sendo considerada um elemento essencial da identidade coletiva.

O reconhecimento da Chicha como patrimônio cultural imaterial é apontado como fundamental para a preservação desses saberes. De acordo com os envolvidos, esse reconhecimento fortalece a memória cultural e contribui para que futuras gerações mantenham viva essa tradição.

A pesquisa foi desenvolvida com base na abordagem autoetnográfica, método que permite ao pesquisador construir o estudo a partir de suas próprias vivências enquanto integrante da comunidade. Esse processo valoriza a oralidade, as experiências culturais e os conhecimentos ancestrais.

Entre os principais desafios enfrentados, destaca-se a necessidade de traduzir conhecimentos tradicionalmente transmitidos de forma oral para a linguagem acadêmica, sem perder seus significados culturais e espirituais. Além disso, ainda existe a dificuldade de reconhecimento dos saberes indígenas como formas legítimas de ciência.

A vivência dos autores enquanto membros da etnia foi essencial para o aprofundamento do estudo, permitindo uma compreensão mais sensível e completa dos significados da Chicha dentro da cultura Guarani-Kaiowá.

A presença de um orientador indígena também foi apontada como um diferencial importante, fortalecendo a representatividade e garantindo que a pesquisa fosse conduzida com respeito às epistemologias indígenas.

No que se refere ao turismo, destaca-se que, quando desenvolvido de forma responsável e com protagonismo das comunidades, ele pode contribuir para a valorização e preservação das práticas culturais. No entanto, há o alerta para o risco de descaracterização quando esses elementos são transformados apenas em produtos comerciais, reforçando a importância do protagonismo indígena nesse processo.

Como principal aprendizado, ressalta-se que os conhecimentos ancestrais são formas legítimas de ciência e que a universidade pode, e deve ser um espaço de diálogo entre diferentes saberes.

Por fim, reforça-se que os povos indígenas não representam apenas o passado, mas também o presente e o futuro. Preservar a cultura é preservar a memória, a identidade e os ensinamentos transmitidos pelas gerações anteriores.

O Boletim Informativo do Turismo (BIT) parabeniza os envolvidos pelo trabalho desenvolvido e reforça a importância de iniciativas que promovem a valorização dos saberes tradicionais e das culturas indígenas no meio acadêmico e na sociedade.

 
 
 

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